1-QUEM É DEUS
Deus- é o nome que, nos textos sagrados, nas religiões, em filosofia e em teologia, se dá à realidade suprema, ao princípio primeiro e único de todas as coisas. A idéia de Deus como ser supremo, senhor do mundo, do homem e da história sempre existiu muito viva na consciência e na vida da humanidade.
2- A FINALIDADE DAS PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS.
Entende-se por "prova" a operação mental com que se busca estabelecer a verdade de uma afirmação ou a validade de uma tese.
A respeito da existência de Deus o crente tem provas, ainda que de vez em quando possa ser perturbado pela dúvida. A respeito da não-existência de Deus o ateu pode cultivar dúvidas, mas não tem provas.
A finalidade das provas da existência de Deus é, em primeiro lugar, submeter ao crivo da razão aquilo que já é abertamente reconhecido pela religião; têm elas, pois, o propósito de dar rigor racional aquilo que a consciência humana já reconhece, por meio da religião. Em segundo lugar, a finalidade das provas da existência de Deus é levar o ateu a Deus.
O crente não tem o problema de como chegar a Deus. Felizmente, ele já se encontra na presença de Deus e O experimenta a todo instante de cada dia. Mas diante do problema do ateísmo, quer seja o prático, que se identifica com a indiferença religiosa, quer seja o teórico, que com argumentos de vários tipos, procura demonstrar a inexistência de Deus, o crente se interessa pelas provas da existência de Deus, até para ajudar a ateu a encontrá-LO.
3-AS RAZÕES DO ATEU PARA NÃO CRER NA EXISTÊNCIA DE DEUS
Muita gente diz que não acredita na existência de Deus porque não pode crer no que nunca viu. Esta não é uma razão convincente porque não é necessário ter visto uma coisa para saber que ela existe. Alguns exemplos:
Outros não crêem na existência de Deus porque "se Ele existisse"- dizem,-"não haveria tanto sofrimento humano".
Em verdade, o que devemos saber sobre isto é que a Bíblia nos garante que o sofrimento que vemos ao nosso redor não é causado por Deus(cf. Tg 1,13 e Rm 6,7). Ele não causa sofrimento, pois é misericordioso(cf.Tg 5,11), ama a justiça(cf. Sl 37,28; Is 61,8) e dá às pessoas o que é bom para elas(cf.At 14,16-17).
A verdade é que, quase sempre, o sofrimento humano decorre de relações sociais desiguais, injustas, causadas não por Deus, que é amor, mas por patrões injustos, exploradores, por políticos corruptos ou mau gestores dos recursos públicos e por outros perversos, indiferentes ao sofrimento alheio, que afligem, praticam crueldade e de forma desumana, cometem crime, violência e iniquidades outras. De fato, "o caminho do iníquo é algo detestável por Deus. Deus está longe dos iníquos"(Prov 15:9,29).
A descrença em Deus revela a falta de fé. Nossa vida moral encontra sua fonte na fé em Deus, que em toda criação revela seu amor. São Paulo vê no desconhecimento de Deus o princípio e a explicação de todos os desvios morais(Rm 1,18-32).
A incredulidade é a negligência da verdade revelada ou a recusa voluntária de lhe dar o próprio assentimento. Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dessa verdade; apostasia, o repúdio total da fé cristã; cisma, a recusa de sujeição ao Sumo Pontícife ou da comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos(CIC 2089).
4- VISÃO HISTÓRICA DAS PROVAS DAS EXISTÊNCIA DE DEUS. PROVAS METAFÍSICAS E PROVAS MORAIS.
O problema da existência de Deus é uma linha que atravessa toda a história da filosofia. Praticamente todos os filósofos abordaram seriamente esse assunto.
Mas embora os pré- socráticos Xenofonte e Anaxágoras tenham se ocupado do tema, aquele que primeiro formalizou as provas da existência de Deus foi Platão, sendo seguido por Aristóteles. Estes deixaram uma marca indelével, que foi de ajuda a todos os filósofos posteriores, sobretudo aos filósofos cristãos, como Santo Anselmo D'Aosta e Tomás de Aquino. Este último tornou universalmente conhecidas as Cinco Vias da existência de Deus, que receberam a primeira formulação de Platão.
Cada filósofo apresentou provas da existência de Deus, fundadas em sólidos argumentos. Apresentamo-las aqui, de modo necessariamente conciso, tal como consta do Capítulo IV do livro Manual de Filosofia, de Theobaldo Miranda Santos-Companhia Editora Nacional, S. Paulo, 1964.
Cabe lembrar, inicialmente, que não se pode provar a existência de Deus por método científico ou matemático, pois até a matemática tem seus limites: em 1931 o matemático austríaco-húngaro Kurt Godel (1906-1978) demonstrou que algumas verdades matemáticas não podem ser comprovadas por meio de axiomas nem de regras escritas de demonstração.
Já em 1781 o filósofo alemão Immanuel Kant(1724-1804) publicou o livro "Crítica da Razão Pura", provando que existe classes de conhecimentos que constituem verdades que não dependem de comprovação e que são necessários para a compreensão do mundo(cf. a revista Super Interessante Ano 13, n. 11, novembro de 1999, p. 61-66).
Dividem-se as provas da existência de Deus em provas metafísicas e provas morais, conforme parte da realidade objetiva do universo ou da realidade moral. Na verdade, toda prova de Deus é matafísica, uma vez que a existência de Deus não é objeto de apreensão intuitiva e só pode ser demonstrada à luz de princípios matafísicos.
PROVAS METAFÍSICAS
4) A existência da ordem do universo.- Todo efeito em que se verifica a escolha de meios adequados para atingir um fim, supõe uma causa inteligente. Toda ordem implica uma razão ordenadora. Ora, no universo, quer no seu conjunto ou nas suas partes, quer na sua natureza física, orgânica ou psíquica, vamos encontrar uma coordenação harmoniosa e perfeita de meios e de fins. Logo, a existência da ordem do universo prova a existência de um ordenador perfeito, de uma causa infinitamente sábia, que é Deus.
PROVAS MORAIS
1) A existência da lei moral.-Todo ser livre tende a realizar, na medida do possível, seu fim particular que é o bem moral, e seu fim universal que é o bem supremo. A lei moral ou princípio do dever existe e se impõe à nossa razão e à nossa vontade: o homem tem a noção do dever, que o impele a fazer o que é bom e evitar o que é mau. Ora, essa lei- que não poderia provir do mundo físico, nem da natureza humana, mas que existe formada em nossa consciência,-,supõe uma causa e uma autoridade, que tenham os mesmos caracteres que ela, isto é, que sejam universais, imutáveis e eternas.
Logo, como não há lei sem legislador, obrigação sem autoridade, e autoridade sem um ser real que a exerça, Deus existe como causa suprema da noção do dever, e como autoridade que confere ao princípio do dever o seu caráter imperativo absoluto.
2) O mérito e o demérito.-Todo ato conforme ou contrário à lei moral merece uma recompensa ou penalidade proporcional ao seu grau de bondade ou maldade. Por conseguinte, o princípio do mérito e do demérito existe e nosso espírito o concebe como complemento necessário do princípio do dever.
Ora, esse pricípio que não deriva do mundo físico ou da natureza humana; que é universal, imutável e eterno como o princípio do dever; que não construi apenas um fato intelectual, mas a garantia absoluta de uma sanção perfeita, adequada à lei moral, implica a existência de uma causa real e absoluta, isto é, Deus.
3) O consentimento universal.- A idéia de Deus não é apanágio dos filósosfos e dos cientistas, nem uma noção moderna ou um conceito da civilização ocidental. É uma idéia universal no tempo e no espaço. Em todos os quadrantes da Terra, em todas as formas de cultura, em todos os povos, ao longo de toda a história, sábios ou ignorantes têm proclamado sua crença num Senhor soberano do universo. "Nem as mitologias, observa Jolivet, por vezes tão estranhas, onde se manifesta a crença em Deus, nem o ateísmo que se encontra na história, sobretudo contemporânea, podem dissimular o fato indiscutível do consentimento unânime do gênero humano em torno da existência de Deus.
Esta universalidade de opinião demonstra que a crença em Deus se apóia sobre razões poderosas e acessíveis a todas as inteligências, e que resulta do exercício normal do pensamento humano quando obedece às suas exigências racionais.
4) As aspirações da alma humana.-O sentimento religioso, isto é, o conjunto das aspirações que levam o homem a procurar, além dos seres finitos, um ser infinito, perfeito e absoluto, onde possa realizar a satisfação plena e integral das suas tendências para a verdade, para a beleza e para a bondade, existe em todas as criaturas humanas e aparece com um relêvo mais acentuado nas almas mais puras, inteligentes e livres.
Ora, esse sentimento que representa um dos elementos constitutivos da natureza do homem, é uma tendência tão real e viva como qualquer outra inclinação física, intelectual ou social. Deve, portanto, possuir uma causa e um objeto reais: uma causa soberanamente boa, inteligente e perfeita e um objeto com idênticos caracteres. É para essa causa e para esse objeto, aureolado por tais caracteres, que o sentimento religioso impele, irresistivelmente a nossa alma. Por conseguinte, Deus existe como causa e objeto do sentimento religioso e das aspirações superiores da alma humana.
5) A experiência mística.- Certas almas privilegiadas, profundamente religiosas, como São Paulo, São Francisco de Assis, Santa Teresa, São João da Cruz e outros, têm afirmado ter estado em contato direto e vivo com Deus, de uma maneira que ultrapassa todos os meios de expressão humana. Nesse "contato experimental" tiveram o ensejo de desfrutar, com irresistível evidência, a presença soberana de Deus.
Poderíamos admitir, sem dúvida, como observa Jolivet, que essa ‘’experiência mística" constitui uma simples ilusão. Mas essa interpretação se apresenta cheia de dificuldades insuperáveis quando atentamos para o fato de a referia experiência se ter realizado com espíritos lúcidos e sadios, com caracteres retos, puros e leais, com pessoas cuja vida foi sempre um modêlo de equilíbrio, de elevação e de bondade.
O argumento baseado no fato místico consistirá, portanto, em dizer que essa experiência mística das grandes almas cristãs é absolutamente inexplicável sem a intervenção de Deus. Não é possível acreditar que todos esses espíritos religiosos se tenham enganado ao afirmarem, com convicção serena e inabalável, a existência das mesmas realidades sobrenaturais que conheceram por experiência pessoal. Resta apenas concluir, com Bergson, que há, na unanimidade dos grandes místicos cristãos, ao descreverem suas experiências, "o sinal de uma identidade de intuição" que só se explica pela existência real do Ser e com o qual (os místicos) se crêem em comunicação.
Numerosos outros argumentos tornam evidente a existência de DEUS.Os seguintes são apontados no livro "O Sentido da Vida", de Watchman Nee:
5-A POSIÇÃO DA IGREJA CATÓLICA QUANTO À QUESTÃO DAS PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS.
Ensina-nos o Catecismo da Igreja Católica(CIC):
Estas "Vias" para chagar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana.
O mundo: a partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode-se conhecer a Deus como origem e fim do universo..."A realidade invisível de Deus- seu eterno poder e sua divindade- tornou-se inteligível desde a criação do mundo através das criaturas"( Rm 1,19-20; At 14,15-17; 17,27-28; Sb 13,1-9).
O homem: com sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus. Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como "semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria", sua alma não pode ter orígem senão em Deus.
O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos nem seu princípio primeiro nem seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim. Assim, por estas diversas "Vias", o homem pode acender ao conhecimento da existência de uma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, e que todos chamam de Deus.
As faculdades do homem o tornam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana(CIC n.° 31 a 35).
6-MEU TESTEMUNHO PESSOAL SOBRE A EXISTÊNCIA DE DEUS
Os ateus poderão dizer que Deus não existe, que é mentira que Jesus é filho de Deus, que Jesus não está vivo, que é mentira que a Igreja Católica foi criada por Jesus, que é mentira que Jesus ama, transforma e salva, mas não poderão dizer que é mentira a minha vida nova, que eu mudei, que fui transformado, que me sinto amado por Jesus. Não poderão contestar porque é minha experiência e ninguém poderá dizer que tudo isto não é verdade, porque estão vendo a mim, ou me escutando ou lendo o que escrevo.
A existência de Deus é certa para mim assim como é certa para mim a existência do mundo.
Este canto, por certo, foi inspirado pelo Espírito Santo: "Deus está aqui, Ele está aqui, tão certo como o ar que eu respiro. Tão certo como o amanhã que se levanta. Tão certo como eu te falo e podes me ouvir"!.
Reconheço o amor e o zelo de Deus por mim quando me criou, dando-me um corpo, que é um universo fantástico, revelador de seu poder e amor; quando não me deixou morrer nas operações médicas que fiz; quando me isenta dos desastres que ocorrem à minha volta; quando me livra diariamente da ação de maus espíritos e de malfeitores e quando a cada instante da vida me livras de acidentes e de contrair doenças graves.
Reconheço o amor de Deus por mim na linda família que me deu, na proteção que dá a ela e nos meios materiais, intelectuais e morais que me fornece para mantê-la.
7- EXORTAÇÃO AOS DESCRENTES
Irmão incrédulo, creia, Deus é real. Ele vive dentro de você. Ele converte, transforma as pessoas. São Paulo, que de perseguidor de cristãos, foi transformado por Jesus Cristo no maior propagador da doutrina cristã, é quem diz(At 17, 24-28):
"O Deus, que fez e mundo e tudo o que nele há, é o senhor do céu e da Terra...é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da Terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-Lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser...".
Crendo em Deus, não haverá distância entre te e Ele. E "quando te sentares, não terás sobressalto; quando te deitares, o sono será tranqüilo. Não te assustará o terror imprevisto...porque o Senhor estará a teu lado e da cilada guardará teu pé"(Pr 3,24-26).